sábado, 30 de abril de 2016

Uma semana no Alentejo

No Verão passado eu e um amigo  de faculdade, no âmbito de acompanhar e auxiliar uma aluna de mestrado em geologia da Universidade de ETH Zürich, fui passar três dias ao Alentejo. Chegámos a uma ‎sexta-feira,à tarde, (‎14 de ‎Agosto de ‎2015) à cidade de Évora (onde pernoitávamos) arrumámos os pertences e planeamos o dia seguinte. Tinha-mos de sair muito cedo para aproveitar o bom tempo fresco, pois à tarde com o calor (tão característico do Alentejo) não se conseguiria trabalhar.

Irei resumir bastante a publicação de maneira a não ficar muito carregada, colocando apenas situações que achei de especial interesse, apesar de ter gostado bastante da experiência.

O área de estudo ficava próximo da  zona de Viana do Alentejo, onde vimos afloramentos de mármore e paragnaisse. Geo-referenciava-mos e mediamos atitudes tudo com o auxilio de um aplicativos digitais (algo muito diferente do que estávamos habituados nas aulas de campo) . Geralmente junto dos mármores o solo era muito vermelho rico em óxidos de ferro a chamada terra rossa.

Vista do primeiro afloramento


Terreno aplando rico em Terra rossa 

No fundo foi feito uma cartografia geológica e estrutural de uma determinada área, usando uma aplicação específica para tal num tablet. Vimos estruturas interessantes como Boudinage estruturas que têm o nome (derivado do francês: boundin ou seja salsicha) do que realmente parecem... um comboio de salsichas! Estas estruturas lenticulares, no caso centimétricas, ocorrem quando uma rocha mais competente (no caso quartzo) está envolvida por rochas incompetentes (no caso paragnaisses) e sobrem forças distensivas, geralmente este tipo de processos ocorre em áreas de metamorfismo regional.


Veio de Boudinage de quartzo em paragnaisse

Em alguns afloramentos conseguimos identificar minerais menos comuns de se encontrar como epidoto, pirite e quartzo em cristal bem desenvolvidos (euédrico).

Epidoto em paragnaisse
Pirite dissemindada em Quartzo
Quartzo cristalino em cavidade

Para além de muito calor, muitos paragnaisses e quilómetros feitos tínhamos a fantástica oportunidade de estar constantemente com estas belíssimas paisagens tipicamente alentejanas, e fazer geologia na companhia de bons amigos ainda vale mais a pena!

José Xieto no campo
Ricardo  Santos (eu) no campo
Paisagem tipicamente Alentejana
Eu e o meu amigo José no ultimo dia no Alentejo

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Calcedónia!

A denominação de Calcedónia deriva de "Chalcedony" (Chalkedon), uma antiga cidade marítima no Estreito de Bósforo na Turquia. Uma das principais características desta gema do ponto de vista mineralógico é a sua estrutura : microcristalina. Apesar de ter uma fórmula química semelhante ao do quartzo ( SiO2), não desenvolve cristais de grandes dimensões. 

Calcedónia Flor
(http://crystal-information.com/wp-content
/uploads/2015/08/chalcedony-1920x1080-3.jpg)

Pertence à classe dos Óxidos, é do sistema trigonal, tem uma dureza relativa de 7 ( na Antiguidade era considerada uma rocha dura e era mais valorizada que actualmente), apresenta um brilho vítreo e um traço branco.

Existem inúmeros minerais que pertencem ao mesmo grupo do quartzo microcristalino mas por apresentarem propriedades físicas diferentes, como a cor ou o hábito, são consideradas variedades diferentes. Eis algumas : 

Carnéola

     Variedade de cor vermelha / castanha-avermelhada devido a impurezas de ferro. Facilmente são encontradas no Brasil, Canadá e na Rússia.  

Carnéola não polida
(http://www.minerals.net/GemStoneIn
TheRoughImages/carnelian-rough-oregon.jpg)

Carnéola polida
(http://www.madagascandirect.com
/uploads/Carnelian-Geode3512.jpg)

Ágata 

    Variedade conhecida pela sua transparênia e padrões de múltiplas cores, com ou sem bandados, graças às múltiplas impurezas que contem. 


Ágata
(http://geo.web.ru/druza
/m-agat_13_3352_FM-125.JPG)


Ágata proveniente do Lago Baikal, na Rússia,
(http://www.abcoutlet.com/agate-9.jpg)

Heliotrópio


     Também conhecida como rocha de sangue, é uma variedade verde escura com pequenas inclusões de hematite que lhe conferem as pequenas "gotas" vermelhas espalhadas pela massa escura da gema. Na Antiguidade foi-lhe dada propriedades mágicas como a possibilidade de fazer chover, criar um eclipse solar ou mesmo dar energia e prolongar a vida daqueles que a possuíam. 


Heliotrópio
(http://www.gettyimages.pt/detail/foto/polished-heliotrope-
or-bloodstone-variety-of-fotografia-de-stock/173290104)

Mtorolite


   Cor verde resulta das impurezas de crómio. É explorado somente no Zimbabué, mais propriamente da região de Mtoro, de onde provém o nome desta gema. 


Mtorolite
(http://www.ksccrystals.com/ekmps/shops/
ksccrystals/images/mtorolite-10-set-of-3--[2]-11074-p.jpg)

Calcedónia Flor


      Variedade mais procurada por colecionadores  e apresenta-se com longas fissuras de algumas formações basálticas, o que faz com que os exemplares apresentem um aspecto bastante espalmado e com inúmeras faixas concêntricas. A cor varia entre amarelo, cinzento e branco. É esta conjugação especial de características que lhe dá o nome de "flor". 


Calcedónia em Flor
http://m1.paperblog.com/i/184/1844490/calcedonia-L-hPAJZw.jpeg
....entre outros.

A Calcedónia encontra-se especialmente em Namíbia, África do Sul, Brasil, Madagáscar, Índia...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Petróleo

Petróleo, o que é?
O Petróleo, é das maiores fontes de energia da actualidade. Ainda que actualmente atravesse uma fase não muito boa, desde muito tempo que o mundo  gira em torno desde magnifico recurso. Directa ou indirectamente todos nós dependemos desta matéria-prima preciosa que se concentra nos espaços porosos de uma rocha a muitas centenas ou milhares de metros de profundidade, e que pode também ser utilizado na fabricação de plástico, borrachas sintéticas e muitos outros produtos.
Em sentido lato, pode-se considerar que o termo petróleo abrange todas as ocorrências ou concentrações naturais de hidrocarbonetos (todo o composto binário de carbono e hidrogénio, ou carboneto de hidrogénio) em qualquer estado físico que se pode encontrar.
 Em sentido mais restrito, isto é, do ponto de vista geológico, os hidrocarbonetos; resultam da deposição e transformação de matéria orgânica. Para que ocorra a formação do petróleo é necessário uma rocha sedimentar rica em matéria orgânica (mais de 50% de carbono de origem biogénica) esta matéria é transformada em profundidade por ação da temperatura, pelo menos 60ºc.
Na vertente económica ou comercial, o termo mais usado para referir hidrocarbonetos que ocorrem exclusivamente no estado liquido, constituindo o produto designado por petróleo bruto ou crude. Os que ocorrem sobre forma de gás constituem o gás natural e os que se apresentam no estado sólido são conhecidos por betumes e asfaltos.

Plataforma de Petroleo no Golfo do México
http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/petroleo-80i6dfpv0fikubxg5g7fm4b4

Como se forma?
A formação das acumulações de petróleo depende da conjugação de vários factores, nomeadamente da:
- Acumulação de matéria orgânica numa rocha geradora (Rocha Mãe).
- Maturação desta mesma matéria orgânica para o óleo.
-Migração deste óleo
-Acumulação numa rocha reservatório devidamente confinada por uma armadilha de natureza geológica, “dobras ou falhas” impermeável delimitando a rocha-geradora. Pelo que obriga a acumulação dos hidrocarbonetos originando assim um reservatório petrolífero. Apesar de os factores mais importante na geração de petróleo serem a matéria orgânica sedimentar fóssil e temperaturas elevadas. É importante também realçar que só há formação de reservatório petrolífero, quando há coexistência destes factores todos.
Numa bacia sedimentar normal, o inicio da geração do petróleo dá-se por volta dos 60ºC,atinge o máximo 90ºC e termina aos 175ºC. O factor tempo é extremamente importante. Pois o processo de geração de petróleo a partir da acumulação de matéria orgânica é muito longo, na ordem dos milhões de anos.

Armadilha estrutural do tipo dobra antiforma (José Xieto)

Prospecção
 A prospecção de hidrocarbonetos corresponde um trabalho integrado entre a geologia, geofísica e geoquímica realizado numa respectiva área (concessão), com a finalidade de tentar encontrar estruturas e formações geológicas favoráveis a serem eventualmente perfuradas.
A prospecção de petróleo faz parte das etapas do conjunto de processos e procedimentos que constituem a exploração de petróleo, na busca do reconhecimento da ocorrência dos recursos naturais, e faz-se estudos para determinar se os depósitos têm valor económico, ou viabilidade económica para serem extraídos. Por esta razão sabe-se de existência de petróleo em Portugal, mas não se pode explorar devido alto custo de produção e pouco retorno. Ainda assim pensa-se que no segundo semestre deste ano possa haver exploração dum poço na bacia do Algarve.
Angola é conhecida pelo seu potencial de recursos naturais, mas concretamente o petróleo que é a maior fonte de riqueza do país. Tem uma produção diária na ordem dos 1,76 milhões de barris, o que faz deste o segundo maior produtor de petróleo de África seguir a Nigéria.
Os maiores produtores de petróleo do mundo são; Arábia Saudita, Estados Unidos, China, Canadá, Irão, Emirados Árabes, Kuwait, Iraque, México, Nigéria. 
O petróleo é a base sustentável da economia de muitos países. Pelo que há muito que se diga sobre este assunto, portanto achamos conveniente não aprofundar muito.

Amostra de petróleo colhida no poço 14A-1 em Portugal

segunda-feira, 25 de abril de 2016

⚒ Limpeza de um exemplar de Amonite ⚒

Depois de ter recolhido um exemplar de uma Amonite, num bloco solto, na saída de campo feita à Serra de Montejunto, procedi ao seu tratamento.
E para tal utilizei duas ferramentas:

Martelo de Geólogo
Dremel engraver 290-01
http://images.dremeleurope.com/general/en/ocs/image/ocsjpg--/dremel%C2%AEengraver-9184.jpg

O procedimento utilizado para o tratamento do exemplar foi o seguinte:

1º Passo: Com o martelo parti a rocha (calcário) pelas suas fraturas;
2º Passo: Com o auxílio da Dremel engraver limpei os “pedaços” de calcário impregnados nos moldes interno e externo da Amonite.
Exemplar inicial
Resultado final

Algumas curiosidades


Classificação científica das amonites:

Reino: Animalia


Filo: Mollusca
Classe: Cephalopoda
Subclasse: Ammonoidea


As amonites são organismos solitários com o exosqueleto carbonatado, aragonítico (com alguns elementos calcíticos), vivem em ambientes marinhos pelágicos (neríticos a oceânicos), têm modo de vida pelágico nectónico e são carnívoros (predadores marinhos).
As amonites são biostratigraficamente muito úteis para sequências sedimentares de fácies marinhas neríticas a oceânicas de idade devónica a cretácica.

Vê mais sobre amonites e outros fósseis na Secção de Paleontologia aqui do blog.

sábado, 23 de abril de 2016

Cinábrio!


O Cinábrio ( HgS) é um metal pouco abundante na natureza, mas é possível encontrá-lo em antigas jazidas hoje abandonadas que foram exploradas quando o mercúrio era um metal procurado. Apresenta-se em massas granulares ou terrosas, pertence à classe dos sulfuretos, tem uma dureza relativa de 2-2,5, um brilho adamantino e uma cor vermelha muito forte habitualmente chamada pelos Romanos de "vermelhão".

Cinábrio
(http://www.astrologiamedieval.com/blog/
wp-content/uploads/2013/04/Cinabrio.jpg)

Este mineral apresenta uma densidade de 8-8,2 sendo considerado muito denso e este deve-se ao mercúrio que contém. Cerca de 86% do peso total do mineral é mercúrio e quando o enxofre volatiliza-se a temperaturas acima dos 580ºC, o mercúrio fica em forma de vapor e mais tarde quando arrefece condensa-se em gotas.


Cinábrio prismático
(https://4.bp.blogspot.com/-NIjVPW9BA6E/VdIf7A3LLuI/
AAAAAAAACNo/gs7iP44NTUo/s1600/5.jpeg)

O cinábrio ocorre geralmente associado a actividade vulcânica e a fontes termais alcalinas onde a água encontra-se a temperaturas entre os 80-90ºC.  Existem inúmeras minas espalhadas pelo mundo (  Espanha,Itália, EUA, Aústria, China..) mas actualmente este mineral é mais interessante do ponto de vista do coleccionismo, visto o mercúrio ser muito tóxico e não ser mais explorado.


A extracção de mercúrio a partir do cinábrio atingiu o seu auge no séc.XVI, durante as viagens para a América, dado que este metal líquido à temperatura ambiente forma uma amálgama com o ouro e a prata, necessária para separar os metais preciosos da ganga. 


O mercúrio forma uma amálgama em torno do ouro.
Depois de aquecido, o ouro apresenta-se livre de ganga.
(http://ichef.bbci.co.uk/news/624/media/images/
71431000/jpg/_71431638_mercury_afp624.jpg)

Foi na mina de Almadén, em Espanha,  que grande parte do mercúrio utilizado pelos espanhóis foi extraído. Galeões carregados de mercúrio cruzavam o Atlântico e regressavam com ouro e prata. 


Moedas de Ouro e Prata espanholas de 1622
(http://i0.wp.com/listverse.com/wp-content/uploads/2013/08/
Gold-and-silver-coins-from-Flickr-
Gerard_Belfast-e1375411950597.jpg?resize=632%2C474)

Parque Mineiro de Almaden, Espanha
(http://www.spain.info/export/sites/spaininfo/comun/
carrusel-recursos/castilla-mancha/parque-
minero-almaden-Explotacion-hurtos-c.jpg_369272544.jpg)

Actualmente o mercúrio encontra-se em declínio, no entanto ainda se fabricam instrumentos de precisão, corantes e insecticidas com este metal. 

terça-feira, 19 de abril de 2016

O Ouro

 O ouro é um elemento químico de símbolo (Au) e por sua vez um mineral. Do ponto de vista químico, é um elemento do grupo 11 (metais de transição) que pertence ao sexto período da tabela periódica. A sua procura é constante desde a pré-historia, tem o nome de origem latim "aurum" que significa brilhante. Possui cor quente, o que faz deste um metal privilegiado para as jóias pois ele é maleável, dúctil e flexível. Assim sendo, o ouro é encontrado na natureza na forma de metal, sem necessidade de dominar a metalurgia para extrai-lo de um mineral. Encontra-se frequentemente sob a forma de lâminas, em massas irregulares, ou em dendrites, filamentos e pepitas de variadas dimensões. Encontra-se também em pequenas inclusões em minerais como quartzo, em rochas metamórficas e depósitos aluviares (depósito de materiais provenientes da desagregação das rochas e transportados pelas águas correntes para determinado lugar, originando por vezes jazigos de valiosos minérios) originados dessas fontes.  
Apresenta uma estrutura cristalina cúbica de faces centradas, é bom condutor de electricidade e  calor,é insolúvel a todos ácidos, só se dissolvendo em água régia (é uma mistura de acido nítrico e ácido clorídrico concentrados),  e tende a ser pouco reactivo. Muitos cristais de ouro embora que raro e em pequenas dimensões podem ser cúbicos, octaédricos ou  dodecaédricos. 
Ouro em folha do autor (José Xieto)

http://slideplayer.com.br/slide/397267/









Características físicas:
Cor principal : amarelo
"amarelo de ouro característico"
Brilho : metálico
Dureza : 2.5-3.0 (na escala de Mohs)
Densidade : 19.3 g/cm^3
Clivagem : não apresenta clivagem
Fractura : não apresenta fractura
O ouro é mole, mas não se quebra facilmente.

Local de extracção
O ouro é concentrado principalmente em jazidas primárias, isto é, em filões hidrotermais quartzicos de elevada temperatura (nos quais dificilmente é distinguível a olho nu) associado a pirite e arsenopirite. Nas jazidas secundaria; aquelas que correspondem aos aluviões, ele  encontra-se em depósitos de areias e cascalhos proveniente da erosão das jazidas primárias. No que toca ao ouro nativo, às vezes bem cristalizado. Essas camadas são frequentemente associadas ao quartzo. Quando as rochas são desagregadas devido a erosão, o ouro é transportado pelas chuvas e a corrente dos rios, os pedaços de ouro muito densos resultante deste transporte  em formas, rolados e arredondados depositam-se na medida em que o rio vai perdendo a sua energia, ou seja quando a corrente do rio enfraquece e se deposita então em forma de pepitas, e pequenas partículas, dando origem as jazidas chamadas de plácers(é um depósito natural de concentração de minerais a superfície) que são investigadas pelos mineiros e/ou garimpeiros que recuperam o ouro com a bateia. Estes plácers existem no leito dos rios actuais mas também nos lugares onde corriam rios, actualmente extintos. O ouro existe também em fracas quantidades nos minerais, o que faz então muitas vezes ser explorado como sob-produto.
Os principais países produtores de ouro actualmente são a China (que acaba de se tornar o principal produtor mundial), África do Sul, Austrália, Estados Unidos,Rússia,  Peru, o Gana, e o Canadá...
Garimpeiros a procura do ouro com bateia.
http://acritica.uol.com.br/amazonia/Garimpo-Juma_5_470402960.html
Em Angola existe grande potencial de ouro sobretudo no sul do País. As explorações terão inicio brevemente(ainda no segundo semestre deste ano), como comunicado recentemente pelo Ministro de Geologia e Minas, embora se aguarde pela conclusão do Plano Nacional de Geologia (planageo). 
Em Portugal, há ouro sobretudo nas minas de Jales e Penedono, em filões  de quartzo, em Gondomar (mina da tapada), com quartzo e estibina existe também em Lousã, e associados a pirite no Alentejo, em meados deste século ainda se podia encontrar nos aluviões de vários rios portugueses.
Curiosidade:"das maiores reservas de barras de ouro do mundo encontre-se em Portugal" by: Ricardo Santos.

Aplicações mais comuns
O ouro é metal mais utilizado em ourivesaria e  joelharia,  mas a sua fraca dureza, maleabilidade e flexibilidade,  fazem com que as jóias em ouro puro sejam muito frágeis. Entretanto as jóias em África continuam a ser fabricadas com ouro praticamente puro tal como encontrado na natureza (frequentemente 22 quilates, mais de 90% de ouro), fácil de se trabalhar pelos ourives e joalheiros.
Foi utilizado em forma de liga com outros metais o tornando mais resistente e duro : o cobre, a prata, o níquel, a platina e o paládio este ultimo muda de cor, conforme as proporções, ele pode se tornar rosa, cinza, até vermelho ou verde, mas inúmeros países limitam actualmente a utilização de liga com níquel por causa do risco alérgico deste metal.
A liga de ouro, a mais utilizada actualmente em joelharia, contém 75% de ouro puro, e é chamada de 18 quilates (que não tem nada à ver com o quilate, unidade de peso das pedras preciosas pois significa quantidade de ouro puro numa liga metálica, que corresponde 1/24 da massa dessa liga, atribuindo ao ouro puro a valor de 24 quilates). Certos países autorizam ligas de ouro de 9  até 14 quilates.
Anéis de ouro
http://ideiascompernas.com/portfolio/projecto/32/joias-na-bolsa
As moedas de ouro possuem em geral pelo menos 90% de ouro puro.
O ouro é também utilizado em electrónica, por sua vez serve para dourar outros metais, também faz-se aplicações de folhas de ouro para dourar outros suportes tais como molduras, estatuetas como aquelas que são atribuída  nos Oscars...
Em todos os países, o Estado controla o teor de ouro (a proporção de ouro na liga) por intermédio de carimbos específicos permitindo garantir que a jóia ou o objecto seja de ouro verdadeiro e não uma imitação.

A boa educação é moeda de ouro, em toda parte tem valor! :) 

Uraninite !

A Uraninite UO2, embora composta por oxigénio e por urânio, pode chegar a conter quantidades apreciáveis de chumbo, tório, rádio e outros metais raros, pertencentes ao grupo das chamada "terras raras". 
De uma importância científica excepcional, este mineral é radioactivo e deve ser manipulado com muita cautela e que tem de ser guardado dentro de caixas fechadas e protegidas por uma placa de chumbo com uma espessura adequada.

Cristais de Uraninite
(https://en.wikipedia.org/wiki/Uraninite#/media/
File:Uraninite-usa32abg.jpg)

A Uraninite é um mineral opaco com um brilho submetálico ou gorduroso, de cor preta a preta-acastanhada ou amarelada-escura, consoante as variedades. Quando se oxida perde o brilho e dá lugar à Gummita. Em contacto com o ar e a água, a Uraninite vai-se transformando a pouco e pouco numa massa gelatinosa e amorfa com uma composição muito complexa. O seu nome vem do latim "gummi" que significa "goma" ema lusão às massas arredondadas ou espalmadas com o aspecto de goma com que costuma apresentar-se.


Uraninite
(https://upload.wikimedia.org/wikipedia
/commons/d/df/Uraninite-218648.jpg)

Até ao século XVIII este mineral não teve nome até o químico alemão Klaproth ter detectado um novo elemento a que chamou Urânio, em honra da descoberto do planeta Urano. Em 1898 o casal Curie realizou uma descoberta incrível ao encontrar os elementos polónio e rádio na Uraninite. Com esta descoberta, este mineral passava a ocupar um lugar de preferência nos laboratórios científicos mais avançados. 


Funcionamento reactor nuclear
(http://rd9centralelectrica.webnode.pt/desenvolvimento
/centrais-nucleares/como-funciona-uma-central-nuclear-/)


A Uraninite é a principal fonte para obter urânio, o metal radioactivo mais importante do ponto de vista científico, industrial e militar. A civilização apoia-se em duas grandes fontes básicas de energia : os combustíveis fósseis e o urânio. Por ser muito instável, com o passar do tempo o urânio decompões-se em produtos mais leves e mais simples, libertando enormes quantidades de energia atómica, assim chamada por provir da transformação dos átomos. Controlado num reactor nuclear, o calor que o urânio emite quando se desintegra pode ser utilizado para accionar geradores convencionais de turbina a vapor com o objectivo de produzir electricidade. 


Explosão Bomba Nuclear
(http://hypescience.com/wp-content/uploads/2009/09/explosao-nuclear.jpg)

No entanto, quando a massa de urânio num local supera um determinado valor, denominado massa crítica, toda a energia se liberta ao mesmo tempo. Esta é a base da bomba atómica, de grande poder destrutivo. 
A energia atómica liberta-se sob a forma de calor e de outras formas de radiação. São estas radiações que causam lesões irrecuperáveis nas pessoas e nos outros seres vivos que estejam expostos a elas. 


É ainda possível saber com rigor a idade das formações geológicas quando os minerais ou as rochas incluem elementos radioactivos instáveis que se desintegram em elementos estáveis a um ritmo determinado. Assim, o produto final da decomposição do urânio é o chumbo e sabe-se que a vida média deste metal é de 4.470 milhões de anos, o que significa que nesse período de tempo metade do urânio original se deve ter convertido em chumbo. Analisando em laboratório a proporção entre urânio e chumbo de origem radioactiva de um mineral como a uraninite, pode-se determinar a idade desta e obter informação acerca da idade da rocha onde este mineral se encontra disperso. 


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Fluorite Amarela!

 Fluorite cúbica amarela, é o que apresento hoje. Esta comprei na feira internacional dos minerais fósseis e gemas em Lisboa 2015. Vem das Astúrias (Espanha). 
 As fluorites, como já escrevi num outro post, podem apresentar um espectro de cores variáveis como as cores do arco íris, e esta fluorite amarela é das cores consideradas mais comuns.

Para saberes mais de características da Fluorite vê o anterior post dedicado a este mineral Aqui.

Dimensões: 12.5x8x5cm

Fluorite Amarela 1.1
 Com cubos de várias dimensões os maiores apresentam 1 cm de aresta. Também a intensidade de cor nos diferentes cubos que constituem este exemplar vão variando entre amarelo torrado a quase incolor e branco.
 Geralmente a Fluorite ocorre associada a soluções hidrotermais as quais mineralizam veios e que podem conter elementos como a barite, ferro, zinco, chumbo, carbonato entre outros que ao formar outros minerais que caracterizam a associação à Fluroite, como é o caso deste eu exemplar que se pode ver neste post anterior. Calcite com Fluorite Amarela e mais!

Fluorite Amarela 1.2

Fluorite Amarela 1.3

Curiosidade: A Fluorite (CaF2) em termos de aplicação industrial tem como principal aplicação no fabrico de ácido fluorídrico de fórmula HF. Para tal Fluorites muito puras são levadas a temperaturas de 350ºC num forno rotativo onde a mistura com Ácido sulfúrico e se forma o HF.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Goethite!

A Goethite ( FeO(OH)) foi descoberta como novo mineral em 1806 e foi-lhe dado este nome em honra do alemão Johann Wolfgang Goethe. Este mineral encontra-se sob a forma de massas terrosas, concreções, agregados fibrosos, massas reniformers ou estalagmíticas. 

Goethite em forma de concreção
( http://www.dakotamatrix.com/images/products/goethite32921b.jpg )

Pertence à classe dos Hidróxidos, apresenta uma dureza relativa de 5-5,5 e tem um brilho adamantino. A goethite forma-se normalmente a partir de processos de meteorização de minerais ricos em ferro, sendo um componente comum dos solos, concentrando-se em solos lateríticos ( ricos em Ferro e Alumínio e típicos de regiões tropicais de clima húmido e quente ). 


Solos Lateríticos com goethite
( http://www.portaldetecnologia.com.br/
wp-content/uploads/2010/01/Figura-A.3.jpg )

Goethite
( http://www.fabreminerals.com/specimens/s_imagesS8/Goethite-NK6S8fm.jpg )

Goethite vista de um microscópio de luz reflectida
( tirado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)
Goethite vista de um microscópio de luz reflectida em nícois cruzados
( tirado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa)

Durante muitos milénios a goethite foi a principal fonte de fornecimento de ferro. O início da metalurgia do ferro data dos impérios Assírio e Hitita ( XIII_XII a.C) que viviam na Península da Anatólia, actual Turquia. Os Hititas não usavam para fabricar armas mas sim para objectos religiosos e foram os egípcios ,que através de trocas comerciais, espalharam esse conhecimento pelo resto do mundo civilizado. 

(http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/02/imperio-hitita.jpg)

Os gregos produziram material para espadas, facas e pregos e ajudaram também a divulgar esta nova maneira de usar o ferro. Hoje em dia o ferro está bem presente no nosso quotidiano : desde automóveis, mobiliário urbano, objectos domésticos, ferramentas e acessórios de vestuário. 
Algumas das jazidas de goethite mais importantes no mundo situam-se em Inglaterra, EUA, Austrália, Brasil e Venezuela. 

Ponte de Ferro em Inglaterra
( http://www.nevillenewnham.co.uk/Shropshire/
Shrewsbury,%20Ludlow%20and%20Ironbridge/Ironbridgea.jpg )