quarta-feira, 31 de maio de 2017

Última saída de campo, Alentejo!

Paisagem tipicamente Alentejana, peneplanície resultante de todo um processo
 erosivo que perdura à milhões de anos. 
No dia 05/05/2017 realizou-se no âmbito da disciplina de Geodinâmica Química, cadeira de 4º ano, segundo semestre da licenciatura em Geologia (Ramo de Recursos Naturais) a última saída de campo. Foi um saída muito emocionante, não apenas por ser a última do curso mas por termos conseguido ver diferentes tipos de rochas, para mim mais exóticas!

Pequena "aula" da Geologia Regional (Vila Boim)
Já tinha estado a trabalhar na zona (Viana do Alentejo) mas desta vez consegui ver muitos mais afloramentos e entender melhor a Geologia regional, não só por já possuir mais "bagagem" geológica como também pelas explicações do professor que nos acompanhou.
 Percorremos vários quilómetros ao longo de todo o distrito de Évora e Beja, fazendo várias paragens como Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo, Montemor-o-Novo, Cabeço de Vide, Alter Pedroso, entre outras. Na passagem por Estremoz, pernoitámos no centro de Ciência Viva Estremoz.

Corte de mármore diopídicos (Mármores verdes de Viana, câmbrico)
 com granada e intrusões básicas
Podemos ver diferentes manifestações de metamorfismo regional e local que ajudam a encaixar os diferentes estágios da deformação Varisca em Portugal e o seu resultado na "soldadura" dos diferentes terrenos tectónico-estratigráficos- Ossa Morena e a Centro Ibérica.
Segue-se agora algumas fotos dos  momentos que considerei mais especiais!

Granada encontrada perto de rochas meta-básicas Devónicas,
perto de Barragem de Odivelas, Ferreira do Alentejo.
Ribeira Almansor em Montemor-o-Novo.
Migmatitos na  Ribeira de Almansor em Montemor-o-Novo.

Rocha Ultramáfica (Dunitos) com evidências de uma falha
 (estrias no espelho de falha), em  Cabeço de Vide.

Rocha hiperalcalinas (Ordovícico) de Alter Pedroso, rica em 
anfíbola Riebeckite e piroxena Aegirina, minerais
 sintomáticos de hiperalcalinidade.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Preparação de Lâminas Delgadas

Depois da saída de Ambientes Sedimentares realizada em Santa Cruz decidimos fazer lâminas delgadas das amostras rochas recolhidas nas sequências turbidíticas. Este trabalho tem por fim caracterizar à escala microscópica os arenitos finos e siltítos. Em breve irei realizar um post mais detalhado sobre este afloramento. 
 As lâminas delgadas foram realizadas nos laboratórios do departamento de Geologia da Faculdade de Ciências. Cortei as amostras com recurso a uma serra eléctrica e a restante preparação ficou a cargo da responsável destes laboratórios. 

Adicionar legenda
 Para podermos usar estas serras temos de ter obrigatoriamente equipamento de seguranças, como óculos, botas e abafador de ruído. As luvas não são necessárias visto que esta serra em específico não corta a pele (mesmo que passemos o dedo por ela). Como a é necessário a utilização de água para o corte das rochas, deve-se usar também vestimenta impermeável. 

Corte das Amostras recolhidas
Polimento das superfícies
Lâminas delgadas na etapa final de preparação

Ambientes Sedimentares - Saída de Campo

A nossa turma de Ambientes Sedimentares (ramo de recursos naturais) teve uma saída de campo de 3 dias à zona de Santa Cruz no dia 22 de Março de 2017. Percorremos 4 km de zona costeira desde a Praia do Amanhã até à Praia Azul. Com as explicações do Professora Pimentel foi-nos possível ir observando diferentes ambientes fluviais e suas associações litológicas. Estes ambientes são vários, desde canais entrançados, turbiditos e canhões submarinos de material terrígeno.

Canhão de Mateiral terrígeno
Sequência turbidítica (séries de bouma) Alterância de siltítos e arenitos finos


Sequência turbidítica, alternância de siltítos e arenitos finos
As unidades em estudo encontram-se na Bacia Lusitaniana. Esta bacia sedimentar desenvolveu-se na Margem Ocidental Ibérica durante o Mesozóico e formou-se durante a abertura do Atlântico Norte resultado da fragmentação da Pangeia.
 As sequências Turbidíticas são de idade Kimmeridgiano da época Jurássica Superior e pertencem à formação da Abadia. Por vezes é possível observar  alguns fósseis como gastrópode, bivalves e amonites. Ocorre algum carvão fossilizado.

Bivalve de idade Jurássica resultante de acarreio
Carvão fossilizado de idade Jurássica
Troncos fossilizados (Carvão)
Gastrópode